quarta-feira, 2 de outubro de 2024

cosplaycomic 03


 

 

medo é uma das emoções mais constantes e intensas experimentadas pela humanidade. é ligado a mecanismos instintivos de proteção contra o perigo, e seus efeitos manifestam-se diretamente em nosso corpo. comum a muitos animais, no ser humano ele é ainda intensificado pela consciência de nossa finitude e do caráter inexorável e insondável da morte. apesar de ser uma emoção negativa, quando experimentado ocasionalmente, o  medo  constitui-se  como  um  efeito  capaz  de  produzir peculiares prazeres estéticos...de que modo os terrores e horrores imaginários podem suscitar prazeres, se estamos sempre tentando escapar dos terrores e horrores do mundo real?...ver-se diante de uma experiência de terror ou de horror sem de fato correr os riscos inerentes a ela seria não apenas uma experiência prazerosa, mas, também, uma forma segura de encarar e enfrentar  os  diferentes  medos  aos  quais  estamos  sujeitos.  o exercício de nossos sentimentos de benevolência, quando provocados, pode ser uma fonte de prazer. tal fato não parece espantoso àqueles que consideram haver uma relação entre os sistemas moral e natural do ser humano, associando, assim, certo grau de satisfação a toda ação ou emoção responsável pelo bem-estar geral. o sofrimento que imediatamente surge de uma cena de miséria é suavizado e abrandado pelo nosso reflexo de auto aprovação, derivado do virtuoso sentimento de empatia. esse abrandamento ocorre de forma tão intensa, que experimentamos, geralmente, um prazer muito requintado e refinado, que, em vez de nos levar a fugir com nojo e horror de tais cenas, nos faz querer testemunhá-las novamente. é óbvio o quanto essa disposição pode nos conduzir aos fins de amparo e auxílio mútuos. mas o aparente deleite com o qual nos deparamos diante de objetos de puro terror, em que nossos sentimentos morais não têm vez, e nenhuma paixão, a não ser aquela deprimente do medo, parece ser excitada, constitui um paradoxo do coração, cuja solução é muito mais difícil. estratégias  linguísticas  e  discursivas,  na  forma  de  narrativas,  são produzidas  para  evitar  que  as  pessoas  compreendam  o  mundo  e  sua situação  no  mundo. no  extremo,  o  controle  da  ideia  de  mundo  visa  ao controle  do  mundo  como  campo  de  experiência,  o  que  só  é  possível  pelo controle  da  linguagem,  que  seria  capaz  de  analisar,  conceber,  questionar. em  suma, de  montar  e  desmontar  algo  como  um  “mundo”  com  base  em uma  ideia  e  na  forma  de  narrar  essa  ideia. ao  lado  da  linguagem  verbal,  a  linguagem  visual  é  dominante  nas sociedades  que  compõem  a  civilização atual.  portanto,  devemos compreender  “narrativa”  como  algo  que  cria  um  mundo  organizado  em palavras  e  imagens.  esse  mundo  implica  uma  verdade  verbovisual, discursivo-visual  ou  literário-visual  coesa.  o  sistema  simbólico  atual instaura  narrativas  verbovisuais  dominantes  para  definir  todas  as  demais narrativas  de  maneira  programática...e maravilhosa!


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Ai-Da 00

  ...Bem-vinda ao universo da arte não conhecia suas obras...gosto da leitura possível sobre a instabilidade de "A.I. God"! Talvez...